Blog de Sérgio Braz, Agente Oficial de Propriedade Industrial. Autor e consultor em Propriedade Intelectual.
Monday, June 22, 2026
Quando duas marcas são consideradas semelhantes? Lições de um recente acórdão em Moçambique
Wednesday, June 3, 2026
O Critério da Semelhança Fonética no Exame de Marcas: Por que uma Única Letra Não Evita a Recusa pelo IPI
A
17 de abril de 2026, o Instituto da Propriedade Industrial (IPI) emitiu uma
decisão que recusa definitivamente o registo da marca SOLIX,
devido à sua semelhança com a marca SOLIS,
que já possuía registo prévio no país.
A
análise detalhada dessa decisão final do IPI traz lições estratégicas muito
claras, tanto para a condução deste caso específico quanto para a gestão de
futuras marcas no mercado moçambicano. Essas lições são de extrema relevância para
empresários, empreendedores, Agentes Oficiais de Propriedade Industrial e
outros profissionais que actuam no ramo da propriedade industrial.
Entendendo o Conceito: O que é Semelhança Fonética?
Vale
esclarecer que a semelhança fonética é a
similaridade de pronúncia entre marcas. Os examinadores avaliam como os sinais
soam quando falados — considerando o número de sílabas, a acentuação, a
cadência e a semelhança dos fonemas. Trata-se de um dos eixos mais sensíveis do
exame de fundo: marcas com grafias diferentes, mas com pronúncias parecidas,
frequentemente entram em rota de colisão.
As Principais Lições a Tirar Deste Caso
1. A Importância do Exame Substantivo e da Pesquisa de
Anterioridade
A
decisão demonstra claramente que o IPI mantém um critério rigoroso no exame
substantivo (de fundo). O argumento de que pequenas alterações gráficas finais
(como trocar o "S" por "X") seriam suficientes para afastar
a colisão das marcas foi categoricamente rejeitado.
Ou seja, modificações
superficiais em marcas foneticamente idênticas ou muito semelhantes não passam
pelo crivo do IPI se o segmento de mercado (mesma classe, mesmos produtos ou
afins) for o mesmo. Daí a importância de realizar uma pesquisa
de anterioridade detalhada antes do depósito do pedido de registo. A
pesquisa de anterioridade é, sem dúvida, o passo mais crítico em todo o processo
de registo de uma marca. Sobre isto veja a explicação detalha no meu artigo A PESQUISA DE ANTERIORIDADE NO REGISTO DE MARCAS: POR QUE É ESSENCIAL ANTES DE SUBMETER O PEDIDO.
2. A Prevalência do Critério Fonético sobre o Gráfico
A
decisão deixa claro que, na análise do IPI, a cadência e a estrutura sonora têm
um peso enorme. O examinador argumentou que o público consumidor, ao pronunciar
"SOLIX" e "SOLIS", dificilmente distinguirá as marcas,
gerando um risco real de associação indevida.
Por
isso mesmo, ao criar marcas para o mercado local, a avaliação do "impacto auditivo" (a
maneira como as palavras são ouvidas e processadas pelos consumidores) na
língua portuguesa e no contexto moçambicano deve sobrepor-se à mera
diferenciação visual ou escrita.
3. A Vulnerabilidade do Radical Comum Não Distintivo
O
IPI apontou que os elementos "SOL" ou "SOLI" não possuem um
“significado claro e inequívoco”
ou de exclusividade absoluta no contexto dos produtos da Classe 9. Por ser
considerado quase "evocativo", a introdução de uma marca com o mesmo
radical — e com a terminação alterada por uma única letra — foi vista como uma
tentativa que não cumpre a função primordial da marca, a de “distinguir os produtos oferecidos por
uma empresa daqueles oferecidos por outra”.
Deve-se,
portanto, reter que as marcas que utilizam prefixos ou radicais comuns no
mercado correm um risco duplo:
são mais difíceis de registar se houver uma marca similar com registo anterior
(a chamada anterioridade); se forem registadas, tornam-se "marcas fracas", que
dificilmente impedirão a entrada de outros concorrentes com nomes parecidos no
futuro.
4. Avaliação Criteriosa das Respostas a Recusas
Provisórias
Embora
o requerente tenha apresentado argumentos contra a recusa provisória inicial,
estes não foram robustos o suficiente para reverter o entendimento dos
examinadores.
Argumentações
baseadas estritamente na "distinção visual por uma única letra"
tendem a falhar. Para terem sucesso, precisam de vir acompanhadas de elementos
de suporte sólidos, tais como provas de convivência pacífica das marcas no
mercado internacional, evidências claras de ausência de prejuízo real ou de
confusão para o consumidor, ou uma delimitação e restrição muito específica dos
produtos abrangidos dentro da mesma classe.
Monday, May 18, 2026
Propriedade Intelectual e Agricultura em Moçambique: Cadeia de Valor, Marcas e Inovação
Introdução
No dia 16 de Maio de 2026, no distrito de Ribáuè, Província de Nampula, o Governo procedeu ao lançamento da Campanha de Comercialização Agrícola 2026, sob o lema "Comercialização agrícola — dinamizando negócios e cadeia de valor".
De acordo com a
nota divulgada pelo Ministério da Economia, com o acto “reafirma a
aposta do Governo no fortalecimento do sector agrário como pilar estratégico
para o crescimento económico, segurança alimentar e geração de renda para as
famílias moçambicanas”[1]. Foi igualmente destacada a
importância da comercialização agrícola na dinamização da economia nacional,
incentivando o aumento da produção, o fortalecimento das cadeias de valor e a
valorização do potencial produtivo nacional, numa visão que posiciona o
agro-negócio como um dos motores da transformação económica do país.
O lema "Comercialização agrícola
— dinamizando negócios e cadeia de valor" reflecte a
necessidade urgente de transformar a agricultura de subsistência em um sector
competitivo, estruturado e virado para o mercado.
Entretanto, se à primeira vista, a
agricultura e a Propriedade Intelectual (PI)
parecem universos distantes, quando analisada com a devida minúcia percebe-se
que a PI é o motor invisível que permite "dinamizar" e, acima de
tudo, proteger e reter o valor dentro
dessa cadeia. Sem o uso do mecanismos existentes no sistema da PI, o país,
através dos seus produtores, corre o risco de vender matéria-prima barata
(commodities) e ver a margem de lucro real ficar nas mãos de intermediários ou
processadores internacionais.
A
Relação Entre Propriedade Intelectual e Agricultura
Vejamos, então, como a Propriedade
Intelectual se relaciona directamente com o agro-negócio, em geral, e com o lema
da presente campanha, em particular, e como ela pode potencia-la:
Agregação de Valor e Diferenciação
no Mercado (Sinais Distintivos)[2]
Para dinamizar negócios, o produto
agrícola moçambicano não pode ser apenas "mais um" no mercado. Ele
precisa de identidade. É aqui que entram as marcas e as ferramentas de PI colectiva,
tais como:
Marcas (individuais ou colectivas[3]: As marcas
servem para identificar e distinguir um produto de uma empresa/ entidade, dos
produtos de outra empresa/ entidade. Assim, tanto empresários a nível
individual como associações de produtores ou empresas podem registar as suas marcas
para assinalar os diversos produtos, a saber arroz, feijão, castanha de caju ou
hortícolas entre outros. Uma marca forte gera confiança no consumidor, garante
repetibilidade de compra e permite praticar preços mais competitivos.
b) Indicações Geográficas (IGs)[4]
e Denominações de Origem[5]: Moçambique
tem produtos únicos devido ao seu clima e solo. Muitos desses produtos
qualificam para terem o selo de Indicacoes Geograficas e/ ou denominações de
origem (a título de exemplo podem ser mencionados o Caju
de Cabo Delgado, o Café de Chimanimani, a Batata de Tsangano, o Chá do Gurúè, o camarão de
Quelimane, o ananás de Muxúngue). Entretanto, até ao momento Moçambique conta com apenas
uma indicação geográfica registrada, o Cabrito de Tete[6]. A protecção legal de
produtos por via das IGs impede a contrafacção e garante que apenas os
produtores daquela região beneficiem da reputação do nome. Internacionalmente,
produtos com IG chegam a duplicar o seu valor de mercado.
Cadeia de
Valor e Segurança Jurídica
Uma cadeia de valor dinâmica exige
contratos, parcerias e confiança entre o sector produtivo, a indústria de
processamento e a distribuição. Estes três pilares — contratos,
parcerias e confiança — precisam de ser traduzidos em modelos práticos
de negócio de forma a evitar que o produtor fique sem escoar a colheita e que a
indústria ou o distribuidor fiquem sem matéria-prima.
Contratos como
garantia jurídica e comercial - Os contratos reduzem o risco de flutuação
de preços e garantem a previsibilidade para todas as partes. Quando contratos, parcerias e mecanismos de PI funcionam
de forma integrada, cria-se um ecossistema agrícola mais estável, competitivo e
sustentável. Como exemplo, temos o Agricultura de Contrato (Outgrower Schemes):
este é um exemplo clássico e muito comum. Uma grande empresa processadora
celebra contratos individuais ou colectivos com pequenos produtores locais no
início da campanha agrícola. O contrato estipula que a empresa fornecerá os inputs (sementes seleccionadas, fertilizantes) a
crédito e garantirá a compra de toda a produção a um preço mínimo pré-acordado.
Por seu turno, o produtor compromete-se a vender exclusivamente a essa empresa
e a seguir as normas de qualidade exigidas. Existe também o Contrato de Fornecimento Futuro (Forward Contracts):
uma grande cadeia de supermercados ou uma indústria de panificação celebra um
contrato com uma cooperativa de produtores de trigo ou batata. O contrato
define volumes mensais de entrega e padrões de calibre e higienização para os
próximos 12 meses, protegendo ambas as partes das oscilações repentinas do
mercado spot.
Parcerias como
coesão e partilha de recursos - As parcerias vão para além da
simples compra e venda; envolvem a cooperação para melhorar a eficiência de
toda a cadeia. Por exemplo, a Parceria de Transferência de Tecnologias e Assistência Técnica, na
qual uma indústria processadora de sumos e polpas de fruta faz uma
parceria com o sector produtivo (pomares locais). A indústria investe na
contratação de engenheiros agrónomos para dar formação gratuita aos produtores
sobre técnicas de poda, combate a pragas e colheita ideal. Como resultado, o produtor
aumenta o seu rendimento por hectare e a indústria garante que as frutas que
entram na fábrica têm o teor de açúcar e a qualidade necessários para o
processamento, reduzindo o desperdício na linha de produção. Outro exemplo é o
da Parceria Logística e da Cadeia de Frio, Aqui, uma associação de
produtores de hortícolas (altamente perecíveis) junta-se a uma empresa de
logística de distribuição. Ao invés de gerirem camiões próprios, os produtores
partilham infraestruturas, como centros de agregação com câmaras frias
localizados estrategicamente junto às zonas de produção, permitindo que o produto
chegue fresco aos centros urbanos.
Confiança como
o "lubrificante" da cadeia de valor - A confiança é
o activo intangível que permite a flexibilidade e a rapidez nas decisões,
reduzindo os custos de litigação e fiscalização. Podemos mencionar como exemplo
o Sistema de Pagamento Flexível e Financiamento Triangular:
Quando há confiança mútua, uma instituição financeira (banco) pode entrar na
cadeia utilizando o contrato entre o produtor e o comprador como garantia (Tripartite Financing). O banco financia a campanha do
produtor porque confia que o comprador industrial irá honrar o contrato e
desviar o pagamento directamente para liquidar o crédito, entregando o
remanescente ao agricultor. Ou ainda, o Programa de "Fornecedor
Certificado": Um distribuidor (como uma rede de hotéis ou
supermercados) estabelece uma relação de alta confiança com determinados
produtores que dispensa a inspecção rigorosa lote a lote no momento da entrega.
O produtor adopta um caderno de encargos estrito e assume total transparência sobre
o uso de defensivos agrícolas. Se houver uma quebra pontual na produção devido
a factores climáticos, o distribuidor apoia o produtor em vez de aplicar
penalizações severas, sabendo que a relação a longo prazo é mais valiosa.
O Impacto Integrado na Campanha Agrícola
Como se pode constatar, quando
estes três elementos operam em conjunto, a cadeia de valor deixa de ser um
conjunto de elos isolados e passa a funcionar como um ecossistema integrado. Isso
cria a estabilidade necessária para que os operadores económicos invistam em
melhorias — seja o produtor a comprar um sistema de rega, a indústria a
expandir a fábrica, ou o distribuidor a abrir novos canais de mercado.
Contratos de Licenciamento: Empresas agroindustriais podem licenciar tecnologias de processamento, embalagem ou conservação. A PI garante que essas transferências de tecnologia ocorram sob um manto de segurança jurídica, uma vez que se exige que estes contratos sejam devidamente averbados junto do Instituto da Propriedade Industrial (IPI).
Combate à Concorrência Desleal: O registo de
marcas e designs de embalagens no IPI protege os operadores nacionais de cópias baratas ou de produtos importados que
tentem se passar por produção nacional (Made in Mozambique).
Inovação Agrícola
e Tecnologia (Patentes e Variedades Vegetais)
A modernização da agricultura e o
aumento da produtividade (essenciais para a comercialização em grande escala)
dependem da inovação tecnológica:
Protecção de Novas Variedades de Plantas
(Direitos de Obtentor)[7]: O
desenvolvimento de sementes mais resistentes à seca (uma realidade crítica em
várias províncias), a pragas ou com maior rendimento por hectare pode ser
protegido. Isso atrai investimento privado em investigação e desenvolvimento
(I&D) agrícola para o país.
Patentes e Modelos de Utilidade: Desde
pequenos sistemas de irrigação adaptados à realidade local até maquinaria de
processamento de oleaginosas ou tubérculos. Proteger essas invenções locaisinvenções locais
estimula a engenharia nacional a criar soluções para a nossa cadeia de valor.
Desenhos
Industriais e Comercialização
A comercialização moderna exige uma
apresentação impecável. O formato de uma garrafa de óleo de girassol nacional,
o design de uma embalagem de cartão para exportação de fruta ou o formato
inovador de um frasco de piripiri podem ser protegidos como Desenhos IndustriaisDesenhos Industriais. Uma
embalagem atraente e funcional optimiza a logística (transporte) e capta a
atenção do consumidor final nas mercearias, lojas e supermercados.
Conclusão
Se o objectivo do Governo é fazer com que o produto saia da machamba e chegue ao mercado gerando mais riqueza, a Propriedade Intelectual é a ferramenta legal que transforma o produto bruto num activo comercial estratégico. Ela garante que a "dinamização" resulte em lucros reais e sustentáveis para os operadores moçambicanos.
Num contexto em que Moçambique procura fortalecer o agro-negócio e aumentar a competitividade dos seus produtos, torna-se essencial que produtores, cooperativas, empresas e instituições públicas compreendam e utilizem os mecanismos de Propriedade Intelectual como instrumentos estratégicos de valorização económica.
[2] Em termos de propriedade industrial,
os sinais distintivos do comércio referem-se a marcas, nomes comerciais,
logótipos, insígnias, denominações de origem e indicações geográficas, que são instrumentos
jurídicos que permitem identificar e diferenciar produtos, serviços ou
estabelecimentos no mercado. Eles têm como função principal individualizar e proteger
a identidade empresarial, evitando confusão entre consumidores e concorrência
desleal.
[3] Marca colectiva “é o sinal que
permite distinguir a origem ou qualquer outra característica comum, incluindo a
qualidade de produtos ou serviços de empresas, membros de uma associação, grupo
ou entidade”.
[4] “O nome de uma região, de um local
determinado ou, excepcionalmente, de um país, que serve para distinguir ou
identificar um produto como originário dessa região, local ou país, cuja
reputação, determinada qualidade ou outras características podem ser atribuídas
a essa origem geográfica, contanto que a produção, extracção ou transformação
ou elaboração ocorram na área geográfica delimitada”. – Artigo 1, alínea f), do
Código da Propriedade Industrial.
[5] “O nome de uma região, de um local determinado ou,
excepcionalmente, de um país, que serve para designar um produto originário
dessa região, local ou país, cujas qualidades ou características se devem
essencial ou exclusivamente ao meio geográfico, incluindo os factores naturais
e humanos”. – Artigo 1, alínea c), do Código da Propriedade Industrial de
Moçambique.
[6] https://www.ipi.gov.mz/noticias-e-eventos/285-lancamento-oficial-da-indicacao-geografica-cabrito-de-tete
[7] A normas de Protecção de Novas
Variedades de Plantas foram aprovadas pelo Decreto nº 58/2006, de 26 de
Dezembro. Adicionalmente, o Decreto n.º 26/2014, 28 de Maio de 2014, aprova o
Regulamento de Protecção de Novas Variedades de Plantas.
Thursday, May 14, 2026
8 Vantagens do Registo de Marca em Moçambique
#TBT Jurídico
Em 2021
escrevi este artigo sobre a importância do registo de marca — um tema que
continua extremamente actual em Moçambique, especialmente numa era marcada pelo
crescimento do comércio digital, redes sociais e empreendedorismo online.
Muitas empresas
investem em logotipos, nomes comerciais e presença digital, mas esquecem-se de
proteger juridicamente o seu activo mais valioso: a marca.
Neste artigo
revisito as principais vantagens do registo de marca e explico porque esta
protecção continua essencial para qualquer negócio.
O que é uma
marca?
Marca é o sinal
distintivo (palavras, letras, números, figuras, desenhos, formas ou combinação
destes elementos) que identifica produtos ou serviços de uma entidade e os
distingue dos produtos ou serviços de outras entidades.
o registo de uma marca é importante porque confere ao seu
titular o direito exclusivo de uso do sinal que este associou ao seu produto ou
serviço. Isto impede que terceiros ou eventuais concorrentes registem marcas
semelhantes para produtos ou serviços que contenham proximidade relevante com
os produtos ou serviços assinalados pela marca já registada.
Principais vantagens
1. 1. Prioridade em todo o país – este é o benefício
mais valioso de registar uma marca, a prioridade nacional que o acompanha. O
proprietário de uma marca registada pode impedir o uso da marca por terceiros
em todo o país, pois em Moçambique, o registo da marca garante ao titular prioridade e
exclusividade de uso em todo o território nacional..
Isso é particularmente importante na era da Internet, onde o tráfego online
pode encontrar várias empresas com nomes semelhantes. Esse benefício também é
vital para uma empresa que espera se expandir no futuro.
2. O registo reduz significativamente os custos de fiscalização – com a marca registada, o certificado de registo funciona como uma prova inicial
(prima facie) de que a marca é válida, pertence ao titular e lhe confere
exclusividade. Isso significa que, se alguém for acusado de infringir essa
marca, é o infractor quem terá de provar o contrário (por exemplo, que a marca
não é válida ou que não há exclusividade). Com marca não registada, o titular
não tem esse respaldo legal. Ele próprio terá de demonstrar, ponto por ponto,
que a marca é sua, que é válida e que tem o direito exclusivo de uso. Esse
processo exige mais provas, mais tempo e, consequentemente, mais custos. Em suma,
o registo transfere o ónus da prova para o infractor, enquanto a ausência de
registo mantém esse ónus sobre o titular. É por isso que se diz que o registo
reduz significativamente os custos de fiscalização e aplicação (enforcement)
dos direitos.
3. A marca pode ser o maior património de sua empresa – a marca está
entre os mais importantes patrimónios de uma empresa. É como se fosse o seu
DNA, o referencial da qualidade daquele produto ou serviço. Se a marca da sua
empresa ou até mesmo o domínio do seu site não estão registados, estão
vulneráveis a possíveis cópias, acções de pirataria ou uso indevido. Por isso,
não importa o tamanho da sua empresa, registar a sua
marca é proteger o seu património.
4. Evita cópias ou uso indevido – Após o registo da sua marca, você garante o
direito de uso exclusivo em todo o território nacional, no seu segmento de
mercado.
5. Direito de usar o símbolo ® - uma vez que uma marca é registada, o
proprietário pode começar a comercializar os seus produtos ou serviços sob a
marca usando o símbolo ®. Este símbolo notifica o público de que a marca está
registada no IPI e que o seu proprietário desfruta de todos os benefícios de
registo que o acompanham. O símbolo pode dar à marca maior credibilidade e
notificar os possíveis infractores de que o proprietário leva a sério os seus
direitos de propriedade intelectual, o que, por sua vez, pode gerar um maior
impedimento à conduta ilícita.
6. Sua marca é sua propriedade – a sua marca recebe um certificado de registo e ela passa a
ser uma propriedade. Inclusive, pode ser transmitida por herança, permanecendo na família por
tempo indeterminado, uma vez que o registo é válido por 10 anos e renovável
indefinidamente por períodos iguais.
7. Possibilidade de criar franquias – se a sua marca registada se consolidou no
mercado, você pode pensar na possibilidade de franquear o seu negócio. O registo da marca é um
elemento essencial para a estruturação jurídica de franquias e expansão
comercial do negócio.
8. Possibilidade de licenciar a marca – na posse do registo da marca, você pode licencia-la
para que outras empresas explorem o uso dela, criando diversos produtos com sua
marca e aumentando ainda mais os seus rendimentos sem deixar de ser o
proprietário da marca.
Conclusão
O registo de
marca garante protecção jurídica, reforça a identidade empresarial, agrega
valor económico ao negócio e permite a realização de operações comerciais como
licenciamento e franquias.
Num mercado cada vez mais competitivo e digital, proteger a marca é
proteger o próprio negócio.
E você, já registou a sua marca?
Quanto mais cedo efectuar o registo, menores serão os riscos de imitação,
apropriação indevida ou conflitos futuros.
Tuesday, May 12, 2026
#TBT JURÍDICO – MARCA, PATENTE OU DIREITOS DE AUTOR?
Em 2022 publiquei um
artigo explicando as diferenças entre marcas, patentes e direitos de autor.
Revisitar este conteúdo hoje é essencial, porque muitos empreendedores e
criadores ainda têm dúvidas sobre que tipo de protecção se aplica às suas
criações.
O que empreendedores/ agentes
económicos, criadores e inventores devem saber é que:
Marcas – identificam
produtos/serviços e protegem a reputação empresarial. Exemplo: Marca Temperos da
Virgínia para serviços de caterings.
Patentes – protegem
invenções técnicas novas e aplicáveis na indústria. Exemplo: Patente Mac 128k
(Apple Macintosh).
Direitos de autor –
protegem obras intelectuais e criativas, como literatura, música, software e
arte. Exemplo: Direitos de autor da música Soul Makossa de Manu Dibango.
Como se pode constatar, cada
forma de protecção tem objectivos e benefícios distintos. Qual delas já
utilizou ou considera mais adequado para o seu negócio ou criação/invenção?
Este artigo foi originalmente publicado em 2022 no blog brazebrazip: https://brazebrazip.blogspot.com/2022/09/marca-patente-ou-direitos-de-autor.html. Esta versão #TBT revisita o tema para destacar a atualidade das diferentes formas de proteção da propriedade intelectual.
Saturday, May 2, 2026
BAIPA PARTICIPA NA REUNIÃO ANUAL DA INTA
A Braz e Associados participara na edição deste ano da reunião anual da INTA (Associação Internacional de Marcas), que decorre de 2 a 6 do mês corrente. Deste modo, a BAIPA continua a sua internacionalização e inserção no mercado global da propriedade industrial.
#INTA2026
Sunday, April 26, 2026
DIA MUNDIAL DA PROPRIEDADE INTELECTUAL
#diamundialdaIP
#inovação
Thursday, April 23, 2026
#TBT JURÍDICO – CINCO MANEIRAS PELAS QUAIS OS DIREITOS DE MARCA REGISTADA BENEFICIAM STARTUPS E PMES
Em 2022 escrevi sobre os benefícios da protecção de marca para startups e pequenas e médias empresas. Passados alguns anos, constato que este conteúdo continua actual e essencial para quem empreende em mercados competitivos. Revisitar este tema é um verdadeiro retorno que mostra como a marca pode ser um activo estratégico de longo prazo.
A protecção da
marca por meio do registo oferece os seguintes benefícios:
- Direitos exclusivos – o registo garante ao titular o direito de impedir terceiros de comercializar produtos ou serviços idênticos ou semelhantes que possam causar confusão.
- Aplicação (Enforcement) – marcas registadas são mais fáceis de aplicar, pois carregam presunção de propriedade. Em alguns países, autoridades alfandegárias podem inspecionar e apreender mercadorias falsificadas.
- Activo comercial duradouro – uma marca registada pode durar indefinidamente, desde que seja usada e renovada.
- Venda ou licenciamento – marcas registadas podem ser vendidas ou licenciadas, gerando novas fontes de receita.
- Valor financeiro – uma marca registada pode servir como garantia para obtenção de financiamento junto a instituições financeiras.
Fonte: WIPO
Hoje, mais do
que nunca, startups e PMEs precisam pensar na marca como activo estratégico.
Qual desses benefícios você já aproveitou ou gostaria de explorar no seu
negócio?
Monday, March 30, 2026
A IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA DAS MARCAS EM FUSÕES E AQUISIÇÕES.
Um dos momentos
decisivos para qualquer negócio é a fase das fusões e aquisições, comumente conhecidas
na sua versão em Inglês, Mergers and acquisitions (M&A). Entre os activos
que sustentam o valor e a continuidade de uma empresa, as marcas ocupam um
papel de destaque na medida em que, mais do que meros símbolos visuais, elas
representam acesso ao mercado, confiança do consumidor e a história de
investimentos que moldaram a empresa por vários anos.
Com efeito, durante
as fusões e aquisições as marcas garantem a continuidade de marca (preservam a
identidade perante clientes e parceiros), a valoração do negócio (reforçam o
valor intangível e a posição competitiva) e acesso ao mercado (sem registos
claros, negócios podem ser bloqueados ou atrasados).
Por isso, ao antes
de entrar numa operação do género há que cuidar para não corrir o risco de ter
lacunas no portfólio, tais como reformulação de marca inesperada e onerosa, rejeições
em mercados digitais e disputas legais em mercados estratégicos. É igualmente
importante verificar se há averbamentos pendentes em múltiplas jurisdições, restrições
de coexistência/licenciamento, propriedade fragmentada e registos em
mercados-chave.
Assim, para uma
boa e cómoda operação de fusão e aquisição é recomendável efectuar uma diligência
alinhada ao plano de negócios, validar propriedade e registos em todas as jurisdições
relevantes, alinhar os activos digitais (nomes de domínio, redes sociais, mercados
digitais), priorizar registos por urgência e fortalecer a governança com
políticas de propriedade intelectual e formações.
Para o alcance
desse desiderato, eis a lis do essencial a ser verificado:
- Portfólio completo e actualizado.
- Verificação de titularidade das marcas.
- Ponto de situação das renovações.
- Disputas e litígios.
- Cobertura de mercado.
- Acordos de coexistência.
- Activos digitais integrados.
Em M&A, as
marcas não são apenas detalhes jurídicos — são activos de alto impacto que podem
acelerar ou comprometer o sucesso da operação. Uma gestão proactiva e
estratégica garante que a marca continue sendo um motor de crescimento e
confiança no mercado.
Thursday, March 26, 2026
AVALIAÇÃO DOS ELEMENTOS DOMINANTES NA ANÁLISE DE SIMILARIDADE DE MARCAS REGISTADAS
No universo da propriedade industrial, a análise de similaridade entre
marcas registadas é um dos pontos mais críticos na concessão — ou recusa — de
direitos exclusivos. Muito além de uma simples comparação visual, este
exercício exige uma leitura estratégica e jurídica daquilo que realmente
importa: os elementos
dominantes da marca.
Mas afinal, o que são esses elementos dominantes e por que desempenham um
papel tão decisivo?
O que são
elementos dominantes?
Os elementos dominantes são aqueles que mais captam a atenção do consumidor
médio. São, por assim dizer, o “coração” da marca — aquilo que permanece na
memória e influencia a percepção global. Podem ser palavras, letras, formas,
cores ou até combinações específicas que conferem identidade distintiva. Nem
todos os componentes de uma marca têm o mesmo peso. Elementos genéricos,
descritivos ou de uso comum tendem a ter menor relevância. Já elementos
arbitrários ou fantasiosos assumem maior força distintiva e, consequentemente,
maior impacto na análise do risco de confusão.
A importância
da impressão global
Um princípio fundamental no direito de marcas é o da impressão
global. Ou seja, o consumidor não analisa as marcas lado a lado
de forma minuciosa — ele forma uma percepção geral, baseada nos elementos mais
marcantes. É precisamente aqui que os elementos dominantes entram em jogo.
Mesmo que duas marcas apresentem diferenças secundárias, a presença de
elementos dominantes semelhantes pode ser suficiente para gerar confusão ou
associação indevida.
Critérios de
avaliação da similaridade
A análise da similaridade de marcas geralmente considera três dimensões
principais:
- Visual: aparência gráfica,
estrutura, cores e disposição dos elementos;
- Fonética: sonoridade e ritmo
na pronúncia;
- Conceptual: significado ou
ideia transmitida.
Os elementos dominantes influenciam directamente todas essas dimensões. Por
exemplo, uma palavra forte e distintiva comum a duas marcas pode sobrepor-se a
diferenças gráficas, levando à conclusão de que existe risco de confusão.
O papel do
consumidor médio
Outro factor essencial é a perspectiva do consumidor médio — alguém
razoavelmente atento, mas não especialista. Este consumidor tende a recordar
apenas os aspectos mais marcantes da marca, o que reforça a importância dos
elementos dominantes na análise. Além disso, o grau de atenção pode variar
consoante o tipo de produto ou serviço. Em bens de consumo corrente, por
exemplo, a probabilidade de confusão é maior, pois as decisões são tomadas
rapidamente.
Estratégia na
criação e defesa de marcas
Compreender os elementos dominantes não é apenas relevante para análise
jurídica — é também uma poderosa ferramenta estratégica. Ao criar uma marca,
apostar em elementos distintivos e memoráveis aumenta a protecção e reduz
riscos futuros. Por outro lado, em situações de oposição ou litígio, a
identificação clara desses elementos pode ser determinante para sustentar
argumentos de semelhança ou distinção.
Conclusão
A avaliação dos elementos dominantes é, em essência, o ponto de equilíbrio
entre técnica jurídica e percepção do mercado. Ignorá-los é comprometer a
análise; compreendê-los é fortalecer a protecção da marca.
Num cenário
cada vez mais competitivo, onde a identidade é um activo valioso, investir numa
abordagem estratégica desde a criação até à defesa da marca não é apenas
recomendável — é indispensável.
Thursday, December 18, 2025
MARCAS FRACAS VS. FORTES: COMO PROTEGER EFICAZMENTE A SUA MARCA NO IPI
No registo de marcas, nem todas têm a mesma força. Marcas
fortes oferecem proteção ampla e maior valor comercial, enquanto marcas fracas
são mais vulneráveis a recusas e conflitos. Neste artigo explicmo como
identificar e transformar uma marca fraca em forte, garantindo maior segurança
jurídica e sucesso no processo de registo junto do IPI.
O que torna uma
marca forte?
Uma marca forte é
aquela que apresenta alto grau de distintividade
— ou seja, consegue identificar e distinguir os produtos ou serviços de uma
empresa de forma clara e única. Caracteriza-se por ser criativa e original, aquela que não descreve directamente o
produto ou serviço; de fácil memorização,
aquela fácil de lembrar e pronunciar; protegível legalmente, a que obedece aos critérios estipulados
pelo Código da PI; Sem conflitos
prévios, isto é, que não colide com marcas já registadas.
Exemplo: “Apple” (maçã) para
eletrónica, “Nike” para vestuário desportivo.
Marcas fracas: o
que evitar
Marcas fracas
apresentam baixa distintividade e estão sujeitas a riscos legais maiores. Caracterizam-se por ser descritivas, quando o nome
que apenas descreve o produto/serviço (ex.: “Melhor Água”); genéricas, nos casos de palavras de
uso comum no mercado; sem criatividade,
casos em que há combinações de letras ou números comuns; acarretam
grande risco de confusão pois são facilmente
confundidas com marcas existentes.
Exemplo: “Café Bom” para café
torrado.
Classificação
De acordo com a doutrina,
o espectro da distintividade ordena as marcas da seguinte forma:
- Marcas
arbitrárias: palavras comuns usadas
de forma não relacionada (ex.: “Apple” para computadores) – muito fortes
- Marcas sugestivas: sugerem características do produto sem descrevê-lo diretamente – médias a
fortes (ex “Tosseque” para xarope para a tosse).
- Marcas
descritivas ou genéricas: descrevem directamente
o produto ou serviço – fracas (ex: “grilled flame” (chama grelhada) para carne
assada).
Quanto mais forte
a marca, maior a protecção jurídica e mais fácil é defende-la contra oposições
e outro tipo de litígios.
Estratégias para
fortalecer uma marca
- Escolher nomes originais e criativos.
- Evitar palavras
descritivas ou genéricas.
- Fazer pesquisa de anterioridade antes
de submeter o pedido de registo.
- Usar logotipo e combinação visual para
aumentar a distintividade.
- Ponderar a protecção
em várias classes de
produtos/serviços, caso a a empresa actue em diferentes sectores.
Benefícios de uma
marca forte
Elas garantem maior
protecção jurídica e exclusividade, reduzem o risco de recusa ou conflito com
marcas existentes, aumentam o valor comercial (branding e licenciamento) e facilitam
a expansão e diversificação de produtos.
Conclusão
Investir numa
marca forte é um passo estratégico para qualquer empresa. Além de facilitar o
registo no IPI, uma marca distintiva protege o negócio de conflitos legais e
aumenta o valor da marca no mercado. Portanto, antes de submeter o pedido de
registo da sua marca, avalie cuidadosamente a sua originalidade, memorabilidade e distinctividade.
Conflitos de prazos no processo de registo de marcas em Moçambique
Gerir a propriedade intelectual em múltiplas jurisdições exige atenção rigorosa às práticas locais, especialmente quando tratados internacio...
-
A empresa Potomac Tobacco Company, Limited interpôs recurso contra a decisão da Directora-Geral do Instituto de Propriedade Industrial (IPI)...
-
Missão Moçambique aos Jogos olímpicos Paris 2024, exibindo o traje para a cerimónia oficial de abertura dos Jogos. ...
-
The recent incidences of cancellations requested by third parties on trademark registrations in Mozambique due to overdue Declaration of In...









